A violência nas escolas não é um fenômeno novo e nem, tão pouco, realidade das escolas das periferias. Em tempos atuais, frente à expressiva crise de contravalores que vivenciamos e as problemáticas geradas pelas questões sociais do nosso mundo, vê-se crescer o índice de violência e de falta de segurança tanto no meio social, quanto nas escolas… “todas as escolas”… sejam elas pública ou privada, de periferia ou de centro da cidade. O vírus da violência está em todo lugar e, como uma doença contagiosa, prolifera-se a partir do ambiente propício que lhe é oferecido.

No Brasil a violência surge na escola como fruto do que se vive nas comunidades e nas famílias tendo como fonte a realidade social e as debilidades das políticas públicas. Não há como separar a vida comunitária com a vida na escola, pois a escola faz parte da comunidade e, portanto, tudo o que acontece na sociedade em geral e no entorno da escola, reflete diretamente no comportamento dos alunos dentro do ambiente escolar.

A grave crise de segurança que ataca as cidades brasileiras é, cada vez mais, um forte desafio para os educadores. A sociedade está permeada pela ameaça constante das ações de gangues armadas, oriundas do mundo do tráfico de drogas que buscam garantir seus espaços de atuação, atingindo diretamente a escola.

 

A escola não pode se omitir a esta questão

A escola deve perceber que, ao omitir-se sobre esta questão, está ajudando  a manter  a violência e isto traz reflexos negativos à aprendizagem. Não é certo “abafar o caso” achando que, ao abrir discussão sobre esta realidade está se despertando e trazendo a própria agressividade para a sala de aula, ou ainda, pensar que não é coerente falar de violência no ambiente escolar que, a princípio,  é espaço pacificador e construtor dos saberes.

 

Acontece que o saber e o conceito de paz, hoje, incluem conhecer e saber lidar com estas problemáticas que são presentes no dia a dia da das pessoas.

 

A escola, como espaço privilegiado da educação deve rever com assiduidade suas ações educativas a partir de todos que formam a comunidade educativa: equipe técnica, professores, funcionários,  alunos e famílias.

No processo educativo, os agentes educacionais, de modo geral, devem exercer com plena consciência e maestria suas funções de poder, pois, este, mal utilizado, resulta em ações repressoras e conflitantes, gerando, deste modo, dicotomias e outras divisões.

 

Roseli Cassias

Publicado no Jornal

O Transcendente – Subsídio Pedagógico