O problema está sendo objeto de discussão no mundo em vários encontros de líderes dos cinco continentes  e das entidades humanitárias.

Mas, o que é a fome?

A fome se caracteriza pela escassez ou falta de alimentos em uma determinada região, comprometendo gravemente a subsistência das pessoas. Suas conseqüências imediatas da fome são:

  • perda de peso nos adultos;
  • aparecimento de problemas no desenvolvimento das crianças.

A fome pode se apresentar de duas formas:

  • A fome epidêmica que ocorre em épocas de escassez de alimentos causada por guerras, pragas de insetos e enfermidades das plantas ou por questões ambientais como: enchentes, secas, geadas, terremotos.
  • A fome endêmica que é oculta e, portanto, mais nociva, pois acontece de modo sistemático, todos os dias, em várias partes do mundo e, mesmo diante dos nossos olhos. Infelizmente, nem sempre nos damos conta da sua presença.

A fome no mundo:

1945: foi criada a FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura que, até hoje, lidera esforços e iniciativas internacionais para a erradicação da fome. A FAO tem sede em Roma e conta, atualmente, com 189 países membros, mais a comunidade européia composta por 27 países. Nela, países desenvolvidos e em desenvolvimento se reúnem para negociar acordos e debater políticas, pois, e isso é curioso, a fome no mundo não se dá pela produção insuficiente de alimentos, nem pelo grande número da população, nem pelo fato de existirem terras incultiváveis, nem tão pouco pelo falta de terra para o plantio. Quais seriam então as causas?

O plantio da cana-de-açúcar

Dentre as discussões atuais, sobre a crise de alimentos no mundo, está a questão das plantações de cana-de-açúcar e de milho para a fabricação de biocombustíveis. Alguns países dizem que esta é uma das razões da falta de alimento no mundo, como também um dos agravantes da questão ambiental. Há quem acuse o Brasil disso.

Mas isto não é verdade. O governo brasileiro vem defendendo o etanol à base de cana-de-açúcar e rejeitando críticas de que essa produção traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise de alimentos no mundo. Na realidade, a área territorial para o plantio da cana-de-açúcar, no Brasil, é pouca se comparada com outras culturas alimentares. Dos sete milhões de hectares de cana, plantados no país, a metade vai para a produção de açúcar e a outra metade para o etanol. WWF- Brasil.

As pesquisas revelam:

  • A cada ano, a produção mundial de alimentos tem aumentado.
  • A terra tem recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira. Estudos dizem que a terra suportaria bem até 7,5 bilhões de pessoas. Atualmente, o planeta soma 6,4 bilhões de habitantes.
  • Há países muito populosos, como o Japão, onde todos os habitantes têm, todo dia, uma quantidade mais do que suficiente de alimentos, enquanto países pouco habitados, como a Bolívia, os pobres padecem de fome.
  • Há terras suficientes para serem cultivadas, porém, muitas são cultivadas apenas para os países ricos.

Outras estatísticas:

  • Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo.
  • 11 mil crianças morrem de fome a cada dia.
  • Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresenta atraso no crescimento físico e intelectual.
  • 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável.
  • 40% das mulheres dos países pobres são anêmicas e encontram-se abaixo do peso ideal.
  • Uma em cada sete pessoas morre de fome no mundo.

A Fome no Brasil:

1946: o médico brasileiro Josué de Castro em seu livro “Geografia da Fome” alertou, sobre esta realidade em nosso país. Esta obra foi pioneira na informação sobre a situação alimentar e nutricional do Brasil, revelando a verdadeira face desta carência socialmente construída.

1993: o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou, de forma criativa e inovadora, um dos projetos sociais mais importantes do Brasil: o movimento Ação da Cidadania cujo objetivo era sensibilizar a sociedade em busca de soluções para as questões da fome e da miséria no Brasil, em vista de estabelecer os direitos da cidadania e da justiça para todos.

2003: lançada a campanha Fome Zero contra a fome. Seu objetivo: promover ações para garantir segurança alimentar aos brasileiros, garantindo três refeições diárias para cada brasileiro.

2008: mais de 11 milhões de famílias, das mais necessitadas, têm assegurado o direito a uma alimentação digna. Os dados revelam que, em todo o país, 94% dos meninos e meninas já comem três refeições ao dia.

 Para refletir:

Não se pode esquecer de que a fome aliena e escraviza o homem. No entanto, tão importante quanto dar o alimento, é oferecer ao cidadão condições de trabalho digno para que ele seja o provedor de seu próprio sustento e o de sua família. Deste modo, ao elevar a auto-estima de um povo, promove-se a justiça social e a dignidade humana.

                                                    Redação: Roseli Cassias Pereira

 Matéria veiculada na edição nº05/2008 do Jornal O Transcendente – www.otranscendente.com.br