EUTANÁSIA

A palavra “eutanásia”  deriva do grego “eu”, que significa “bom”, e “thanatos” que significa “morte”. Traz a tradução da boa morte, morte aprazível, sem sofrimento. Professa a tradição cristã que se chega à boa morte quando se está espiritualmente preparado para o encontro com Deus. O sofrimento alcança seu valor pleno dentro da perspectiva cristã da redenção. A dor pode ser um instrumento de salvação, quando é vivida de maneira cristã e iluminada pela Palavra de Deus.

A Declaração sobre a eutanásia do Vaticano II nos ensina:

“…segundo a doutrina cristã, a dor, sobre tudo a dos últimos momentos da vida, assume um significado particular no plano salvífico de Deus; com efeito, é uma participação na Paixão de Cristo e uma união com o sacrifício redentor que Ele ofereceu em obediência à vontade do Pai. (cf. Mateus 27:34).”

Os ensinamentos cristãos orientam ainda para certo grau de autonomia do ser humano em relação às suas escolhas – é o livre arbítrio. Pela sua inteligência e vontade a pessoa humana pode fazer suas próprias opções, porém não descartando o entendimento de que, apesar desta competência, o ser humano não é proprietário da sua própria vida, mas sim, seu administrador. A legítima liberdade do ser humano consiste em perceber o bem de Deus e por este eixo norteador seguir seu caminho. Seguir um caminho contrário ao plano de amor de Deus para as suas criaturas não é autêntica liberdade.

Encíclica Evangelho da Vida

Nesta Encíclica, o Papa João Paulo II ensina que a eutanásia deve ser considerada como uma falsa piedade, uma perversão da compaixão. A verdadeira compaixão torna a pessoa humana solidária com a dor de outros, e não a ponto de eliminar a pessoa que sofre.  A eutanásia coloca a vida do mais fraco e indefeso nas mãos do mais forte; perde-se o sentido da justiça na sociedade e se mina em sua própria raiz a confiança recíproca, fundamento de toda relação autêntica entre as pessoas.  

Dom Geraldo Majella condena a prática do aborto, da eutanásia e a utilização das células-tronco embrionárias

“Na opinião dele, o governo brasileiro está mais preocupado em fazer “remédios que matam”, numa referência ao apoio ao projeto de pesquisa com embriões. Dom Geraldo usou a Paixão de Cristo (2007) na homilia para defender os dogmas da Igreja. ‘Nós recordamos o sacrifício de Jesus, o inocente que foi crucificado e nos dias atuais ainda há muitos inocentes que são mortos’, disse, citando os bebês vitimas de abortos e os embriões que podem ser usados em experiências terapêuticas.
 

Ao se referir à eutanásia, disse que se a prática for legalizada vão acabar exterminando todos os considerados “inúteis e que não produzem”. ‘O velho que já está tão cheio de dores e sofrimento. Para que sofrer? Vamos acabar com ele’, afirmou. Para ele, da forma como as coisas estão se encaminhado, ‘os nossos deputados e senadores vão chegar lá.’”

Médicos católicos se opõem à eutanásia

A Federação Mundial de Associações de Médicos Católicos (FIAMC, por suas siglas em francês) é contra a eutanásia. “Cremos que a profissão médica não é feita para matar enfermos. Desde sempre, profissionais e muitas instituições reconheceram que a melhor maneira de atuar contra a eutanásia são os cuidados paliativos”. 

Direito de morrer ou direito de viver???

Há pessoas que reclamam o “direito de morrer” em nome da sua liberdade. É neste ponto que mora o contra senso da opção pela morte pois “tal direito” ameaça o bem comum da sociedade porque tem conseqüências não só para a pessoa que elege morrer, mas para toda a sociedade, alerta Michele Boulva, diretora do Organismo Católico para a Vida e a Família. Entendendo a eutanásia como “direito de morrer”, o ser humano pode estar confundindo esta prática como “dever de morrer”, acrescenta.

Idosos fogem da Holanda por medo da Eutanásia

Na Alemanha, um novo asilo na cidade de Bocholt está abrigando idosos foragidos da Holanda por medo de serem vítimas da eutanásia por decisão da sua própria família. O asilo fica próximo da fronteira entre os dois países. É o caos instaurado. Na Holanda onde a eutanásia é legalizada, acontecem quatro mil casos a cada ano sendo que 41% dessas mortes é sem o consentimento da vítima. Uma pesquisa revelou que em sete mil casos 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitadas até para responder por eventuais crimes na Justiça.

Na Alemanha a prática da eutanásia tornou-se um tabu devido à prática indiscriminada deste crime pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Os alemães praticaram a eutanásia em alta escala contra pessoas consideradas indignas de viver como deficientes físicos e mentais.

Eutanásia na doutrina islâmica

“Segundo a legislação islâmica, todos os direitos humanos provêm de Deus. Não são presentes de uma pessoa a outra e nem propriedade de qualquer criatura que algumas vezes os distribui e outras vezes os retém (injustamente). Direitos humanos são revelados no Corão em versos claros e decisivos. São confirmados por garantias religiosas e morais, independentemente da punição legal que deve ser imposta aos possíveis infratores e abusadores.”

“A pessoa humana é criatura de Deus e seu representante na Terra. Ele a criou com as próprias mãos, deu-lhe um sopro de sua alma e fez dela a figura mais bela. O respeito à pessoa é tão importante que a vida de uma única pessoa é quase tão valiosa como a vida de todo o gênero humano e de sua posteridade: ‘Se alguém matar uma pessoa isto deve ser considerado como se tivesse matado todas as pessoas. E se alguém mantiver com vida outra pessoa é como se tivesse mantido com vida todas as pessoas’” (Suna: a mesa, verso 32).  

Eutanásia na doutrina Espírita

Em vista da sua doutrina reencarnacionista, “o Espiritismo atesta que a eutanásia é prática contrária às Leis Divinas, registrando “o valor do último pensamento” de um moribundo em estado desesperador, quando poderá ele despertar para o entendimento espiritual e nesse minuto “poupar muitas lágrimas no futuro”, quando então, em outras vidas o indivíduo teria muito a pagar por seus atos não comedidos.

Autanásia ou Ortotanásia é considerada ética

A autanásia ou ortotanásia como costuma ser oficialmente denominada – é ética e moralmente válida, pois aceita o fluxo natural da vida, não induzindo nem apressando a morte, mas também não a prolongando artificialmente. Apenas respeita a sua inexorabilidade quando todos os recursos razoáveis da medicina se esgotaram, deixando prevalecer apenas a vaidade tecnológica de quem, sentindo-se deus, não aceita suas próprias limitações humanas. (Dito pela Academia Mineira de Medicina))